segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Desinformação, segredos e mentiras

A seguinte notícia, do jornal israelita Haaretz, mostra que o ataque estava a ser planeado há mais de 6 meses, numa altura em que se negociava um cessar-fogo com o Hamas, e como todo o governo israelita tinha conhecimento e apoiou o plano. Coloco aqui esta notícia por evidenciar que a guerra estava prevista pelo governo de Israel e que este não tinha intenção de paz.

Disinformation, secrecy and lies: How the Gaza offensive came about
By Barak Ravid, Haaretz Correspondent

Sources in the defense establishment said Defense Minister Ehud Barak instructed the Israel Defense Forces to prepare for the operation over six months ago, even as Israel was beginning to negotiate a ceasefire agreement with Hamas. According to the sources, Barak maintained that although the lull would allow Hamas to prepare for a showdown with Israel, the Israeli army needed time to prepare, as well.
Barak gave orders to carry out a comprehensive intelligence-gathering drive which sought to map out Hamas' security infrastructure, along with that of other militant organizations operating in the Strip. This intelligence-gathering effort brought back information about permanent bases, weapon silos, training camps, the homes of senior officials and coordinates for other facilities. The plan of action that was implemented in Operation Cast Lead remained only a blueprint until a month ago, when tensions soared after the IDF [Israel Defense Forces] carried out an incursion into Gaza during the ceasefire to take out a tunnel which the army said was intended to facilitate an attack by Palestinian militants on IDF troops.
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Em comentário: Testemunhos sobre “a guerra a sério” em Gaza

2 comentários:

serraleixo disse...

Médio Oriente
Testemunhos sobre “a guerra a sério” em Gaza
29.12.2008 - 20h09 Maria João Guimarães, Público
Em Gaza vive-se com as janelas entreabertas a deixar entrar o frio para que o vidro não quebre com os bombardeamentos. As escolas estão fechadas e poucas pessoas se atrevem a andar na rua. "Há uma enorme sensação de vulnerabilidade", diz um habitante de Gaza. "Aqui não há abrigos. Não há um lugar seguro."

Telefonar para Gaza por estes dias não é fácil. Em sedes de organizações não-governamentais ninguém atende – ou ficamos a ouvir uma música de natal: não está ninguém. Os telemóveis têm pouca rede. As conversas acabam interrompidas – um bombardeamento, uma ambulância a passar. "A situação aqui é tão má que mesmo que eu a descreva mil vezes, não é possível compreender", começa logo por dizer Yasser Toshtash, um habitante da Cidade de Gaza, por telefone. "É uma guerra."

"A situação aqui? É uma guerra. Mesmo", diz pelo seu lado Hassam El-Nounou, também por telefone. "Estamos no terceiro dia de guerra, e a esperar o pior", continua.

O que isto significa: bombardeamentos várias vezes ao dia, aviões a quebrarem a barreira do som, escolas fechadas, lojas com pouca comida, falta de tudo.

Um exemplo muito simples: "Temos de ter as janelas sempre ligeiramente abertas, apesar de ser inverno e estar frio, porque se não os vidros podem quebrar com os bombardeamentos. E não há vidros em nenhuma parte de Gaza. Se partem, não há como substituí-los", conta El-Nounou.

Mas o pior é o "estado de pânico, de medo, de ansiedade" de todos em Gaza. "Há uma enorme sensação de vulnerabilidade. Não há um abrigo. Não há lugares seguros."

Este ataque, diz El-Nounou, que trabalha no Centro de Saúde Comunitária de Gaza, é diferente de anteriores operações do Exército israelita não só pela magnitude – "morreram mais de 320 pessoas em dois dias" – como pelo tipo de alvos – "Desta vez atacaram mesquitas – nunca antes tinham feito isso".

"Eles podem atacar tudo", diz por seu lado Yasser Toshtash, que é consultor de uma ONG palestiniana. "Nenhum lugar é seguro."

O telefonema com Hassam El-Nounou é pontuado por um som distante – era um bombardeamento – e passado um pouco um pouco, por outro mais perto, a sirene de uma ambulância. Mais tarde, o telefonema com Yasser Toshtash é interrompido. "Consegue ouvir? Um bombardeamento". Passados uns minutos, ouve-se outra ambulância.

"O pior são as crianças"

Nos últimos dias, todos evitam sair de casa. "Temos medo de sair, as crianças têm muito medo. Temos de estar juntos a maior parte do tempo", diz Yasser Toshtash. A excepção é tentar comprar comida. "Eu tenho sorte: tenho uma loja mesmo ao lado de casa e algum dinheiro para comprar. Mas sou uma excepção".

"Há um ataque contínuo, não há linhas vermelhas, não há limites", diz Hassam El-Nounou. "Não há distinção entre alvos civis e militares. Eu vivo perto da Universidade Islâmica que foi bombardeada ontem às duas da manhã."

Tanto Hasaam El-Nounou como Yasser Toshtash são pais: um tem três filhos, o outro tem seis. "As crianças são o pior. Estão num estado contínuo de ansiedade, estão em pânico a cada som de bombardeamento, a cada som de aviões a quebrar a barreira do som. Não conseguem estar sozinhas", diz El-Nounou. "O meu principal problema são os meus filhos", diz Toshtash. "Eles têm muito medo."

A família e amigos que estão longe também são uma preocupação. "A cada bombardeamento, recebo pelo menos quatro telefonemas de familiares para saber se estou bem. E faço depois, também eu, telefonemas para saber de outras pessoas", conta Hassam El-Nounou.

A comida também começou a escassear. "Já não há leite. Ainda temos um pouco de farinha, um pouco de arroz. Mas vai acabar, deve durar mais uns dois dias. E se ainda houver uma ofensiva terrestre...", diz El-Nounou. "Não é possível ter comida no frigorífico", conta Toshtash. "Temos electricidade durante algumas horas por dia, mas nunca sabemos a que horas. Temos latas de feijões, ainda há algum pão. Mas não sabemos até quando."

Os funerais são outro problema. "Primeiro, não há muita gente a ir aos funerais – as pessoas têm mesmo medo de sair de casa", conta El-Nounou. E depois, é complicado enterrar os mortos. "Não se consegue chegar ao cemitério principal. É muito perto da fronteira onde estão as tropas israelitas", conta Yasser Toshtash. "Têm sido usadas as mesmas campas para enterrar várias pessoas", acrescenta Hassam El-Nounou. E Toshtash conclui: "Acho que isto é contra a lei humanitária internacional."

Anônimo disse...

sobre este assunto, deixemos a história falar por si:
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/518062.html